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DIVERSIDADE ÉTNICO-RACIAL E DE GÊNERO


Em um mês completamos 100 obras hospedadas na Universiflix! Ficamos muito felizes com esse alcance inicial da plataforma. Agradecemos a quem botou fé no projeto, inscreveu sua obra e ajudou a compartilhar. Desejamos que o projeto se torne uma espécie de espaço de encontro e troca entre criadoras e criadores, artistas e arteiros!

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Queremos também que a plataforma sirva como um espaço de pesquisa e reflexão sobre questões políticas e sociais que atravessam o cinema e audiovisual estudantil. Nossa equipe é composta por duas mulheres brancas, uma mulher preta e um homem preto, todas pessoas cisgêneras e de diferentes sexualidades. Como estudantes e criadoras(es) de conteúdos audiovisuais nos sentimos na responsabilidade de contribuir para esse debate.

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Desse pensamento surgiu a ideia de fazer uma pesquisa sobre a diversidade étnico-racial e de gênero presente nas cem primeiras obras inscritas na Universiflix. Essas produções e os corpos que as compõem são espelhos de uma realidade presente na ampla produção estudantil, e os dados dessas obras servem para expor algumas contradições presentes nesse meio.


A pesquisa sobre gênero expõe a exclusão de pessoas transsexuais e mulheres cisgêneras dentro das áreas de roteiro e direção nas produções estudantis. Entre as cem obras analisadas apenas 1% das diretoras(es) são pessoas trans, 28% mulheres cis e 71% homens cis. Praticamente o mesmo se dá na área do roteiro, sendo 1% das(os) roteiristas pessoas trans, 26% mulheres cis e 73% homens cis.

Segundo dados da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) em 2019 a população brasileira era composta por 51,8% de mulheres e 48,2% de homens.


Dentro do cenário da produção audiovisual estudantil e independente nos últimos anos o padrão do grande mercado se repete. As desigualdades raciais tem como características marcantes as interseccionalidades dentro do recorte racial: a menor parcela (15%) são mulheres cisgêneras e apenas 8% são pessoas transsexuais. Mais gritante é não haver, ainda, nenhuma representação indígena a frente das produções inscritas na plataforma!

A ANCINE (Agência Nacional de Cinema) no ano de 2018 realizou seu primeiro estudo com recortes de cor e raça intitulado “Diversidade de gênero e raça nos lançamentos brasileiros de 2016” e nesta pesquisa chegou aos seguintes resultados: “Tendo como base os 142 longas-metragens brasileiros lançados comercialmente em salas de exibição no ano de 2016 mostra que são dos homens brancos a direção de 75,4% dos longas. As mulheres brancas assinam a direção de 19,7% dos filmes, enquanto apenas 2,1% foram dirigidos por homens negros. Nenhum filme em 2016 foi dirigido ou roteirizado por uma mulher negra.”

De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) em 2019 42,7% dos brasileiros se declararam como brancos, 46,8% como pardos, 9,4% como pretos e 1,1% como amarelos ou indígenas.